A perda auditiva raramente acontece de um dia para o outro. Na maioria das vezes, ela avança aos poucos, e a pessoa vai se adaptando sem perceber: aumenta um pouco o volume da TV, passa a evitar o telefone, pede para repetir uma frase aqui e outra ali. Por isso, muita gente se pergunta como saber se precisa de aparelho auditivo só depois de anos convivendo com a dificuldade.
Neste artigo, reunimos os sinais mais comuns de perda auditiva, explicamos por que eles costumam ser notados primeiro pela família e mostramos qual é o caminho para ter uma resposta segura: a avaliação auditiva.
Por que é difícil perceber a própria perda auditiva
Quando a audição diminui gradualmente, o cérebro compensa como pode. A pessoa passa a ler os lábios sem notar, completa palavras pelo contexto e se afasta das situações em que tem mais dificuldade. O resultado é que ela muitas vezes acha que os outros é que estão falando baixo ou “enrolando” as palavras.
A perda ligada à idade também costuma afetar primeiro os sons agudos. Por isso, é comum ouvir que alguém está falando, mas não entender o que foi dito, principalmente vozes femininas, de crianças e consoantes como “s”, “f” e “t”.
Sinais de que você pode precisar de aparelho auditivo
Nenhum sinal isolado confirma perda auditiva, mas, quando vários aparecem juntos e com frequência, vale investigar:
- pedir com frequência para as pessoas repetirem o que disseram;
- aumentar o volume da TV ou do rádio acima do que os outros acham confortável;
- ter dificuldade para acompanhar conversas em restaurantes, festas e reuniões;
- ouvir a voz, mas não entender as palavras;
- sentir que as pessoas estão falando baixo ou murmurando;
- ter dificuldade para entender ligações telefônicas;
- não ouvir a campainha, o telefone tocando ou o micro-ondas apitando;
- sentir zumbido nos ouvidos com frequência;
- ficar cansado depois de conversas longas, pelo esforço para entender;
- começar a evitar encontros e reuniões por não conseguir acompanhar.
Se você se identificou com dois ou mais desses sinais, o próximo passo é fazer uma avaliação. Se a audição caiu de repente, em um ou nos dois ouvidos, não espere: procure um médico otorrinolaringologista com urgência.
Quem tem mais chance de desenvolver perda auditiva
A perda auditiva pode acontecer em qualquer idade, mas alguns fatores aumentam o risco:
- Idade: a partir dos 60 anos, a perda auditiva se torna bem mais comum.
- Exposição a ruído: trabalho em ambientes barulhentos, uso frequente de fones em volume alto e música alta.
- Histórico familiar de perda auditiva.
- Uso de alguns medicamentos que podem afetar a audição.
- Infecções de ouvido repetidas ao longo da vida.
Quando é a família que percebe primeiro
É muito comum que filhos, netos ou o cônjuge percebam a dificuldade antes da própria pessoa. A TV alta demais, as respostas fora de contexto e o afastamento das conversas em família costumam ser os primeiros alertas.
Se você está pesquisando por alguém próximo, algumas atitudes ajudam:
- comente o que você observou com exemplos concretos, sem tom de crítica;
- evite tratar o assunto como “problema de velhice”: perda auditiva tem tratamento;
- proponha fazer a avaliação juntos e ofereça companhia no dia;
- lembre que fazer a avaliação não obriga a usar aparelho, ela só traz a resposta.
Existe um teste para fazer em casa?
Existem ferramentas de triagem que ajudam a perceber se vale a pena investigar. A Organização Mundial da Saúde, por exemplo, disponibiliza o hearWHO, um aplicativo gratuito que testa a capacidade de entender números em meio a ruído (saiba mais sobre o aplicativo da OMS no site da OPAS).
Esses testes são uma triagem, não um diagnóstico. Eles indicam se há sinais de alerta, mas não mostram o tipo nem o grau da perda, informações necessárias para saber se o aparelho é indicado e qual modelo faz sentido.
Como confirmar se você precisa de aparelho auditivo
A confirmação vem da avaliação auditiva. Nela, são feitos exames que mostram se existe perda, em quais frequências, em qual grau e se ela atinge um ou os dois ouvidos. A partir desse resultado, é possível saber:
- se a audição está dentro do esperado e basta acompanhar;
- se existe uma causa que precisa de tratamento médico, como cera acumulada ou infecção;
- se a perda é permanente e o aparelho auditivo é indicado.
Quando o aparelho é indicado, a escolha do modelo depende do resultado e da rotina de cada pessoa. Explicamos esse processo no guia sobre como escolher um aparelho auditivo em Sorocaba. E, para entender o que esperar do tratamento, vale ler também se o aparelho auditivo recupera a audição.
Dúvidas frequentes
Perda auditiva leve precisa de aparelho?
Depende do impacto no dia a dia. Muitas pessoas com perda leve já sentem dificuldade em ambientes com ruído e se beneficiam do aparelho. A indicação é feita a partir da avaliação.
Zumbido no ouvido significa que preciso de aparelho?
Não necessariamente. O zumbido pode ter várias causas, mas muitas vezes aparece junto com perda auditiva. Se ele é frequente, vale fazer uma avaliação para entender a origem.
Com que frequência devo avaliar a audição?
Quem tem mais de 60 anos, trabalha exposto a ruído ou já percebe algum sinal deve avaliar a audição regularmente. A periodicidade é orientada pelo profissional a partir do resultado.
A avaliação auditiva dói?
Não. Os exames são simples, rápidos e não invasivos: em geral, a pessoa ouve sons e palavras com fones e indica quando escuta.
Conclusão: na dúvida, avalie
Os sinais de perda auditiva costumam aparecer devagar e ser notados primeiro por quem convive com a pessoa. Se você ou alguém da sua família se identificou com eles, não há motivo para adiar: uma avaliação simples responde se a audição está normal, se existe algo a tratar ou se o aparelho auditivo é indicado.
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